Terraplanagem · Bota-Fora

Quanto Custa o Bota-Fora por Caminhão em 2026?

Toda terraplanagem gera excedente de terra — e esse excedente tem custo. Esse artigo traz a tabela real de preço por viagem, por m³ e por tipo de caminhão, mostra como a distância encarece o frete, explica por que o CTR é obrigatório e lista três formas legais de economizar sem correr risco de multa ambiental.

Por: Terraplanagem Pelo Brasil Atualizado em: 16 de agosto de 2026 Leitura: 10 min

Vou direto ao número que você quer: uma viagem de bota-fora com caminhão basculante custa, em média, de R$ 250 a R$ 450 em 2026 dentro de um raio de 15 km do local de descarte. Considerando o m³, isso dá R$ 25 a R$ 50 por metro cúbico já com o frete incluso. Mas esses números escondem detalhes que mudam totalmente a conta: o tipo de caminhão, a distância até o aterro licenciado, o volume total e, principalmente, se o CTR está sendo emitido. Quem economiza errado acaba pagando multa que custa 10 vezes o frete.

1. O que é bota-fora (e o que não é)

Bota-fora é a remoção de terra excedente da obra para um aterro de inertes licenciado pela prefeitura e/ou órgão ambiental estadual. A terra sai do seu terreno e vai para um local autorizado, com documento de controle ambiental.

O que o bota-fora não é:

  • Descarte em terreno baldio, beira de rio, estrada de terra ou mata.
  • Doação informal para "vizinho que precisa de aterro" sem nota e sem CTR.
  • Caçamba de entulho (que mistura terra com concreto, madeira, plástico).
  • Aterro dentro do próprio terreno em área de APP ou acima da cota de cheia.

Bota-fora regular significa: aterro licenciado + transportador cadastrado + CTR emitido + destinação final correta. É o único formato legal.

2. Tabela de preço por viagem (2026)

Os valores abaixo são referência para a região metropolitana de São Paulo, Alto Tietê, Vale do Paraíba e Sorocaba em 2026. Incluem: caminhão + motorista + combustível + descarga + emissão de CTR. Não incluem carga manual (serviço de pá carregadeira).

  • Caminhão toco (6 a 8 m³) — até 15 km de distância: R$ 250 a R$ 340 por viagem.
  • Caminhão toco (6 a 8 m³) — 15 a 30 km: R$ 340 a R$ 460 por viagem.
  • Caminhão truck (10 a 12 m³) — até 15 km: R$ 320 a R$ 420 por viagem.
  • Caminhão truck (10 a 12 m³) — 15 a 30 km: R$ 420 a R$ 580 por viagem.
  • Bi-truck ou bitrem (14 a 18 m³) — até 15 km: R$ 480 a R$ 650 por viagem.
  • Carreta basculante (24 a 30 m³) — contrato mensal: R$ 700 a R$ 950 por viagem.

Pacote fechado (lote urbano, ~300 m³, distância média de 20 km): R$ 14.000 a R$ 22.000 para 30 a 35 viagens de caminhão truck, com CTR incluso. Acima de 500 m³, algumas empresas dão tabela fechada com 20% de desconto sobre a viagem avulsa.

3. Preço por m³: como calcular o seu

O preço por m³ é a forma mais justa de comparar orçamentos, porque elimina o efeito da capacidade do caminhão. A conta é simples:

Preço por m³ = (valor da viagem ÷ capacidade do caminhão em m³) + (distância extra × R$/km ÷ capacidade)

Exemplo real: viagem de R$ 380 em caminhão truck de 10 m³, com 20 km de distância e R$ 6/km extra além dos 15 km incluídos:

  • Por viagem: R$ 380 ÷ 10 m³ = R$ 38/m³ (sem extra).
  • Com 20 km × R$ 6/km extra × 2 (ida e volta) ÷ 10 m³ = +R$ 24/m³.
  • Total por m³: R$ 62.

Faixa de preço por m³ em 2026 (incluindo frete de até 20 km):

  • Volume pequeno (até 30 m³): R$ 45 a R$ 70/m³ (mobilização pesa).
  • Volume médio (30 a 150 m³): R$ 32 a R$ 50/m³.
  • Volume grande (150 a 500 m³): R$ 26 a R$ 38/m³.
  • Volume industrial (acima de 500 m³): R$ 22 a R$ 32/m³.

4. Como a distância impacta no custo

A distância é o fator isolado que mais pesa no preço final. A conta não é proporcional: dobrar a distância não dobra o preço, porque há custo fixo de mobilização. Mas cada 10 km extra custa, em média, R$ 50 a R$ 80 a mais por viagem de caminhão truck.

1. Raio de até 15 km (curto): a maioria dos aterros cabe nessa faixa. Preço estável em R$ 250 a R$ 450.

2. Raio de 15 a 30 km (médio): cada km extra soma R$ 6 a R$ 8 na viagem. 10 km extras = R$ 60 a R$ 80 a mais.

3. Raio de 30 a 50 km (longo): começa a compensar avaliar outra empresa com aterro mais próximo. Frete pesa mais que o preço do aterro.

4. Acima de 50 km: em geral, vale mais a pena aterrar no próprio terreno (se a área permitir) ou usar aterro particular pago por m³ depositado, em vez de pagar frete de caminhão.

Dica prática: antes de cotar, pergunte ao motorista onde fica o aterro mais próximo licenciado. Às vezes, mudar de transportador reduz 30% do custo.

5. Capacidade real: toco, truck e bi-truck

Nem todo "caminhão basculante" carrega a mesma coisa. A capacidade muda o preço da viagem e a logística da obra.

  • Caminhão toco (Volkswagen 13.180, Ford Cargo 1317): 6 a 8 m³ reais. Eixo simples na frente + tração atrás. Entra em acesso estreito (3 m). Ideal para obra residencial e pequenos volumes.
  • Caminhão truck (Mercedes Atego 1719, VW Constellation): 10 a 12 m³ reais. 3 eixos. É o padrão de mercado para terraplanagem. Precisa de 4,5 m de largura de acesso e raio de manobra de 8 m.
  • Bi-truck / bitrem (carreta articulada): 14 a 18 m³. Dois reboques articulados. Só entra em canteiro grande, com acesso de 6 m. Usado em obras industriais e grandes condomínios.
  • Carreta basculante (rodo-caçamba): 24 a 30 m³. Capacidade máxima. Só compensa em contrato mensal com volume acima de 1.000 m³.

Regra prática: para até 50 m³ totais, peça toco (mais barato). De 50 a 200 m³, truck é o equilíbrio ideal. Acima de 200 m³, considere bi-truck ou negotiate desconto por pacote.

6. CTR: por que o documento é inegociável

O CTR (Controle de Transporte de Resíduos) é exigido pela Resolução CONAMA 307/2002 e pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010). Ele registra quem gerou o resíduo, quem transportou, qual o volume, o tipo e o destino final. Sem o CTR, o descarte é considerado descarte irregular mesmo que o aterro receptor seja legal — a responsabilidade é solidária entre gerador e transportador.

O que o CTR precisa ter:

  • Identificação do gerador (proprietário da obra, CPF/CNPJ, endereço).
  • Identificação do transportador (placa do caminhão, motorista, CNPJ).
  • Quantidade transportada em m³ ou toneladas.
  • Tipo de resíduo (solo, entulho misto, RCC — Resíduo da Construção Civil).
  • Destino final (aterro de inertes licenciado, com alvará).
  • Data e assinatura do receptor.

Empresas sérias emitem o CTR por viagem e dão uma cópia ao cliente. Se o seu prestador não emite, troque. Não é burocracia — é proteção.

7. Multas e riscos do descarte irregular

A multa por descarte irregular é proporcional ao estrago. Em São Paulo capital, a Resolução SANIPLAN nº 03/2023 e a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) preveem:

  • Multa administrativa municipal: R$ 5.000 a R$ 18.000 por descarte em área pública ou APP.
  • Multa estadual (CETESB): R$ 10.000 a R$ 50.000 por dano ambiental.
  • Multa federal (IBAMA): R$ 20.000 a R$ 100.000 por dano a APP ou recurso hídrico.
  • Pena criminal: detenção de 6 meses a 1 ano, mais prestação de serviços à comunidade, para descarte em quantidade significativa.
  • Responsabilidade civil: o proprietário responde pela recuperação da área degradada, com custo médio de R$ 100 a R$ 300 por m².

Em resumo: tentar economizar R$ 50 em uma viagem ilegal pode virar multa de R$ 50.000. Não compensa.

8. Como economizar no bota-fora sem correr risco

Três caminhos legais para reduzir o custo total:

1. Reutilizar a terra no próprio terreno. Se a cota do projeto permite aterrar dentro do perímetro (e não é APP), você zera o frete. Muitas obras de casas em condomínio conseguem reaproveitar 30% a 50% do corte como aterro de jardins.

2. Caçamba compartilhada entre vizinhos. 3 ou 4 vizinhos dividindo o frete do caminhão reduzem o custo por viagem em até 40%. Funciona bem em condomínios horizontais e loteamentos novos com várias obras simultâneas.

3. Fechar pacote por volume total. Acima de 300 m³, peça tabela fechada por m³ com pagamento por medição topográfica. O desconto típico é de 15% a 25% sobre a tabela avulsa.

E a dica de ouro: nunca feche bota-fora sem saber o volume real. Meça com topógrafo antes — diferença de 30% entre "achismo" e medição é comum.

9. Perguntas frequentes sobre bota-fora

Quanto custa em média uma viagem de bota-fora em 2026? +

Em 2026, uma viagem de bota-fora com caminhão basculante custa entre R$ 250 e R$ 450 dentro de um raio de 15 km do local de descarte. O valor inclui o frete do caminhão, a carga, a descarga no aterro licenciado e a emissão do CTR. Acima de 15 km, soma-se cerca de R$ 5 a R$ 8 por km adicional rodado.

Quanto custa o m³ de bota-fora? +

O preço médio do m³ de bota-fora em 2026 varia entre R$ 25 e R$ 50, considerando o frete já incluso. Para volumes pequenos (até 30 m³), o custo por m³ sobe porque a mobilização do caminhão entra na conta. Para volumes grandes (acima de 200 m³), algumas empresas negociam a R$ 22 a R$ 28 por m³ com pagamento por medição topográfica.

Qual a diferença entre caminhão toco, truck e bi-truck? +

O caminhão toco carrega de 6 a 8 m³ de terra, sendo ideal para obras residenciais e acessos estreitos. O truck carrega de 10 a 12 m³, é o mais comum em terraplanagem. Já o bi-truck carrega de 14 a 18 m³, mas exige acesso com raio de manobra grande e só vale para grandes volumes.

O que é o CTR e por que ele é obrigatório? +

O CTR é o documento emitido pelo gerador do resíduo e pelo transportador, conforme Resolução CONAMA 307/2002 e Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ele registra o volume, o tipo de material e o destino final. Sem o CTR, o descarte é considerado ilegal e pode gerar multa de R$ 5.000 a R$ 50.000, além de responsabilização criminal.

Quanto custa uma multa por descarte irregular de entulho? +

Multas variam de R$ 5.000 a R$ 50.000, conforme a gravidade e o município. Em São Paulo capital, a Resolução SANIPLAN/2023 prevê multa de R$ 18.000 a R$ 50.000 para descarte em área pública ou APP. Além disso, o proprietário responde civilmente pela recuperação da área degradada, com custo que pode passar de R$ 200.000.

Como economizar no bota-fora sem correr risco? +

Três formas legais de economizar: (1) reutilizar a terra no próprio terreno (aterro de jardins, regularização de cota), evitando 100% do frete; (2) contratar caçamba compartilhada com vizinhos (3 ou 4 casas dividindo o frete, o custo cai até 40%); (3) fechar volume total com a empresa antes de começar — pacotes acima de 300 m³ costumam ter desconto de 15% a 25%.

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